domingo, 3 de novembro de 2013

Laika




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1ª parte (de 2)
JOSÉ R. V. COSTA
e RUI C. BARBOSA

O Universo é tudo para nós
Quando a notícia do épico voo do Sputnik 1 foi transmitida ao líder soviético Nikita Khrushchov, ele não compreendeu imediatamente a amplitude do feito histórico que acabara de ocorrer.

Somente mais tarde, quando as “ondas de choque” varreram todo o planeta, ele então maravilhou-se com a visão do ponto luminoso que percorria o campo de estrelas no céu noturno. Foi assim que as vitórias políticas e os efeitos de propaganda ficaram evidentes aos olhos da elite dirigente dos sovietes.

Além do marco tecnológico que representava o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik 1 serviu-lhes para demonstrar a “superioridade” do sistema político comunista sobre o mundo capitalista ocidental. E mais uma evidência disso viria algumas semanas mais tarde, com um fato que ficaria para sempre na memória da humanidade.
"Houve uma hipótese de lançar Laika — e lançamos! Faltou-nos uma análise consciente do que estávamos fazendo."

Oleg Gazenko, chefe da equipe médica que preparou Laika para o seu vôo. Julho de 1998.
Cão a bordo
LOGO APÓS O PRIMEIRO SPUTNIK, Khrushchov conversou com o projetista chefe Sergei Korolev e pediu-lhe algo espetacular para comemorar o 40º aniversário da Revolução Bolchevique (como é conhecida a segunda fase da Revolução Russa de 1917). Korolev prometeu-lhe colocar em órbita um satélite com um cão a bordo.

Os engenheiros e técnicos soviéticos tinham pouco mais de um mês para criar o Sputnik 2 e tiveram que regressar aos seus postos de trabalho, pois encontravam-se de férias após o sucesso do primeiro Sputnik. Os vôos experimentais transportando animais a bordo já haviam sido iniciados no princípio da década de 50, e a experiência dos cientistas soviéticos foi aproveitada ao máximo para construir o novo satélite.
Sputnik 2
FOI UTILIZADO UM CONTENTOR BIOLÓGICO destinado a uma missão a ser lançada pelo míssil R 2A, que dessa forma serviu de base para o Sputnik 2, nessa época chamado simplesmente “satélite simples nº 2” (ou PS 2).

A construção do PS 2 começou em 10 de outubro de 1957, apenas seis dias após o lançamento do Sputnik 1.

Basicamente o satélite era um pequeno contêiner cilíndrico com capacidade para um único cão, incluindo também os sistemas de suporte à vida e instrumentação para verificar os sinais vitais do animal e o estado da atmosfera interior da cápsula.

O sistema de suporte à vida era basicamente um dispositivo automático de regeneração que funcionava com componentes químicos, absorvendo o dióxido de carbono e o excesso de vapor de água.

No topo da seção cilíndrica do satélite encontrava-se um módulo esférico semelhante ao primeiro Sputnik, e que acomodava os sistemas de rádio-telemetria, térmicos e fontes de energia.

O Sputnik 2 transportava também alguns instrumentos científicos para o estudo da radiação solar nas regiões UV e raios X, instalados no exterior do satélite.

O peso total ultrapassava os 508 kg e os engenheiros desenharam o Sputnik 2 de modo que ele permanecesse acoplado ao último estágio do veículo lançador, quando em órbita, permitindo assim que o satélite utilizasse o mesmo sistema de telemetria de seu foguete.
Astronauta de rua
O SPUTNIK 2 NÃO POSSUÍA A CAPACIDADE de regressar à Terra, pois na época ainda não se tinha desenvolvido a tecnologia necessária para tal. Os técnicos previam “adormecer” o cão com uma injeção letal automática antes que o oxigênio a bordo da cápsula se esgotasse.
O foguete na plataforma de lançamento em Baikonur, momentos antes da retirada das estruturas de serviço.
A escolha de Laika foi feita a partir de um grupo de dez cães treinados no Instituto de Medicina da Força Aérea para participar em vôos na alta atmosfera. Oleg Gazenko era o principal cientista do projeto e treinador de animais.

Laika havia sido recrutada por ele das ruas de Moscou, onde vagava livremente, sem dono, antes de se tornar a primeira viajante espacial da Terra.

Do grupo inicial foram selecionadas três cadelinhas: Albina, Laika e Mukha. Laika foi escolhida por sua índole tranqüila e paciente. Sua suplente era Albina, que já havia participado com sucesso de dois vôos de pesquisa em alta atmosfera.
Laika pouco antes de ser colocada no compartimento biológico do Sputnik 2.
Laika e os outros dois animais foram submetidos a um intenso programa de treinos. Sensores foram colocados nas costelas e sobre a pele para registarem o ritmo respiratório, sendo uma parte da artéria carótida colocada sobre a pele para registrar o ritmo cardíaco.

O lançamento do Sputnik 2 e sua passageira aconteceu no dia 3 de novembro de 1957, a partir da plataforma LC1-5 do Cosmódromo de Baikonur, na Rússia, às 02h30min UTC (23h30min de 2 de novembro no Brasil).

Ninguém antes havia experimentado a sensação de subir ao espaço a bordo de um foguete. A pulsação cardíaca de Laika triplicou durante o lançamento, mas todos os sinais vitais até então eram normais.

Tal como previsto, O Sputnik 2 foi colocado numa órbita com um apogeu de 1.671 km,perigeu de 225 km e inclinação orbital de 65,3º em relação ao equador terrestre. O satélite, com massa total de 6.500 kg, permaneceu acoplado ao último estágio de seu lançador. Mas alguma coisa estava errada.
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